Por Jeam Camilo – Bibliotecário de Referência da Biblioteca Paulo Ernesto Tolle, formado em Biblioteconomia pela UNESP – Marília e Pós-Graduado em Roteiro Audiovisual pelo SENAC – SP. Também é escritor com dois livros publicados, além de roteirista de dois projetos cinematográficos em andamento.

 

Semana passada chegou à biblioteca o livro ‘Elis Regina: nada será como antes’, do autor Júlio Maria (927 M332e). E, por coincidência, estava vindo trabalhar ouvindo “Fascinação”, na voz dela.

No mesmo dia, na parte da manhã, reli um conto que escrevi onde o mote principal era a música “Como os nossos pais”, de Belchior, imortalizada na voz da Pimentinha.

Ao me deparar com o livro, tive um misto de sensações: a surpresa pela coincidência; a felicidade pelo livro, tão querido em nosso acervo, ter chegado; e o choque ao ver a imagem deslumbrante e impactante da recém-eleita maior intérprete brasileira de todos os tempos: o olhar penetrante; o sorriso largo… Elis sendo apenas Elis…

A história de Elis Regina funde-se a tantas outras histórias de tantas brasileiras e brasileiros: a luta para viver seu sonho. Podemos fazer um paralelo com nossa trajetória, de colegiais que, ao fim dessa jornada, partimos para a “vida adulta”: entrar na faculdade; trabalhar e estudar; muitos acabam morando fora; outros (tantos outros!) precisam economizar no ônibus para comer o salgado na hora do intervalo; empresta o livro do amigo, pois faltou o $ da cópia; fome, muita fome; sono, muito sono; cansaço quase insuportável… e vários outros exemplos de dificuldades que passamos para chegar a um ponto, um objetivo: a realização de um sonho!

Tão corajosamente, Elis enfrentou uma época onde sonhos eram perigosos. Ser mulher, para variar, era lutar muito mais para se posicionar em um mundo dominado por homens. Época do golpe militar; ser esposa, mãe e filha em uma sociedade que ainda estava se acostumando a uma nova forma de se fazer música (estamos no início do surgimento da MPB e dos grandes festivais de música).

“Brilhante. Fascinante.”

Uma mulher que ousou amar; viver a vida intensamente e, acima de tudo, por e para seu amor maior: a música!

No final de novembro, estreia “Elis”, filme de Hugo Prata. O emocionante trailer promete trazer um retrato intenso e pulsante.

Uma pequena observação: esse pequeno texto é tão pouco, quase nada, para expressar tudo o que Elis foi e sempre será. Se ainda tiver dúvida sobre o título de maior interprete de nossa música, basta fechar os olhos, aumentar o som, e deixar sentir na alma “… és fascinação… amor!”

 


Outras mulheres fortes em nossa história musical:

Livros:

– Carmen: uma biografia: a vida de Carmem Miranda, a brasileira mais famosa do século XX.  – CASTRO, Ruy. (780.922 C355c);
– Chiquinha Gonzaga: uma história de vida. – DINIZ, Edinha. (780.922 D585c);
– Elisete Cardoso: uma vida. – CABRAL, Sérgio. (780.922 C117e);
– Elza Soares: cantando para não enlouquecer. – LOUZEIRO, José. (780.922 L895e)
– Dolores Duran: experiências boêmias em Copacabana nos anos 50.  – MATOS, Maria Izilda Santos de. (780.922 M433d)